O que é a xilogravura?
A xilogravura é uma técnica de impressão em relevo que começa por entalhar um desenho na superfície de uma matriz de madeira. Normalmente, a xilogravura recorre a ferramentas de corte, como facas e goivas próprias, para entalhar o desenho antes de passar a tinta com um rolo. O artista usa muitas vezes um rolo de tinta para aplicar a tinta, cobrindo apenas as zonas elevadas do desenho. Depois retira uma impressão das zonas elevadas que ficaram após o entalhe e a entintagem. O suporte é sobretudo tecido ou papel. Todas as partes da matriz ao nível da superfície retêm a tinta e formam o desenho. Já as zonas entalhadas em redor do relevo desaparecem, tornando-se espaço em branco na estampa final.
Neste artigo partilho uma breve história de uma das formas mais antigas de gravura. Vai encontrar vários métodos e técnicas de xilogravura, e também algumas das minhas ferramentas preferidas para fazer xilogravura em casa.

Xilogravura «woodcut» vs. impressão «woodblock»
Antes de mais, não confundamos o termo «woodcut» com «woodblock». Embora alguns artistas usem os dois termos como sinónimos, «woodcut» refere-se muitas vezes a um processo europeu de gravura. O processo de xilogravura woodcut tende a usar tintas a óleo e a criar estampas com prensa.
Em comparação, a impressão woodblock tem raízes na gravura asiática. Usa geralmente tintas transparentes de base aquosa e aplica a tinta na madeira com suaves pinceladas. Só depois se imprime em papel ou tecido, à mão, com um baren. A técnica produz frequentemente efeitos muito mais suaves e esbatidos, semelhantes à aguarela.
Existe ainda a gravura a topo, que também não deve ser confundida com as anteriores. Na gravura a topo, a matriz é cortada no topo do veio. Na xilogravura, a matriz é cortada no sentido do veio, e a tinta é normalmente aplicada com rolo ou prensa. Há também histórias distintas quanto ao papel dos artistas e dos artesãos numa e noutra técnica.

A xilogravura ao longo do tempo
Seguir a xilogravura ao longo do tempo até aos nossos dias implica percorrer o Leste Asiático e a Europa, começando na China. Foi aí que a xilogravura nasceu como método de impressão em têxteis e, mais tarde, em papel. No século XIII, as técnicas de xilogravura chegaram à Europa, tornando-se a técnica mais antiga das estampas de mestres antigos. O estilo viria depois a ser sobretudo obra de artistas, atravessando tradições.
Em contrapartida, o «entalhe da matriz» (gravura a topo) era muitas vezes feito por artesãos especializados. Por exemplo, na Europa do século XVI havia os formschneider (entalhadores de matrizes), que serviam oficinas, impressores e editores, entalhando matrizes para impressores especializados. Havia ainda especialistas encarregados de preparar as matrizes em branco para o entalhe.
À medida que o ofício evoluiu, a xilogravura adotou vários métodos para transferir o desenho do artista para a madeira. Algumas técnicas passavam por desenhar diretamente na matriz, outras por colar papel na madeira ou decalcar. Ainda assim, isso significava que, nos tempos mais antigos, todas as técnicas destruíam o desenho original.
No século XX, artistas de toda a Europa e do Leste Asiático começaram a adotar a xilogravura com técnicas modernizadas. No Japão, por exemplo, o movimento sōsaku-hanga (estampas criativas) surgiu em oposição ao movimento shin-hanga (estampas novas). O sōsaku-hanga procurava afastar-se das técnicas tradicionais. Já no Ocidente, muitos artistas começaram a fazer xilogravura com prensa. Foi também nessa altura que muitos artistas ocidentais começaram a popularizar a técnica mais fácil da linogravura.

Técnicas modernas de xilogravura
Os métodos mais comuns de xilogravura são a estampagem, a esfrega ou a impressão com prensa.
- A estampagem consiste em entalhar e entintar uma matriz de madeira para a usar como carimbo, virada ao contrário, sobre papel ou tecido. É mais comum na xilogravura sobre tecido. Curiosidade: a estampagem foi também o método usado na maioria das primeiras xilogravuras europeias.
- A esfrega designa a técnica de colocar a matriz entalhada e entintada virada para cima sobre a mesa e esfregar sobre o desenho. O artista esfrega o papel ou o tecido colocado sobre a matriz, sendo o baren a ferramenta tradicional para isso. Veja, por exemplo, o prático baren de madeira ou o baren de vidro da Ritualis Press.
- A impressão com prensa recorre a uma prensa de xilogravura para aplicar pressão suave e uniforme. Veja, por exemplo, as prensas de gravura da Ritualis Press, que servem tanto para xilogravura como para linogravura.
Além disso, a matriz de madeira é normalmente de pereira, cortada no sentido do veio e bem aplainada. A matriz passa por um processo de secagem para reduzir a absorção de humidade e proteger a madeira de fendas ou empenos. Ao mesmo tempo, o tamanho da matriz tem de acompanhar o tamanho da imagem.
Ainda assim, é o tamanho da prensa que determina, em última análise, o tamanho máximo da estampa. Isso significa que, ao trabalhar estampas muito maiores, os artistas usam várias matrizes. Depois montam a imagem completa imprimindo matriz a matriz. Para isso, as matrizes mais pequenas são preferíveis e têm menos probabilidade de fender sob a pressão da prensa. As matrizes precisam normalmente de cerca de 2,5 cm de espessura para melhor desempenho e maior durabilidade.
Prensas de xilogravura
Uma prensa de xilogravura é uma ferramenta essencial no ateliê caseiro para criar estampas com detalhe e textura. Imprimir com prensa permite aplicar facilmente a pressão uniforme necessária às matrizes entintadas. Melhora a nitidez da imagem, cria profundidade e torna todo o processo mais eficiente e repetível.
Mas que prensas são comuns na xilogravura? Vejamos as características mais apreciadas das prensas de gravura da Ritualis Press, por exemplo.

A Ritualis Press e as prensas para xilogravura ou linogravura
As prensas de gravura Ritualis Press são populares não só para xilogravura e linogravura, mas também para estampagem de matrizes, estampagem têxtil, tipografia e mais. Isso deve-se ao desenho único da prensa, com duas pegas para aplicar pressão uniforme. Existem depois várias características práticas que qualquer artista espera das suas ferramentas. Cada prensa oferece:
- Construção robusta em aço, contraplacado e madeira de carvalho.
- Pratos de impressão de vários tamanhos, de A3 a A4 e A5.
- Linhas e grelha de centragem gravadas a laser, muito bem avaliadas.
- Duas alavancas para o máximo conforto ao imprimir.
- Impressão até ao limite da prensa, para aproveitar todo o prato.
- Inclinação ajustável e assentamento antiderrapante.
Isto sem falar de como cada máquina fica bem em ateliês e oficinas caseiras. Os desenhos em madeira, cuidadosamente escolhidos, ficam simplesmente bonitos em qualquer bancada ou prateleira. É também fácil arrumar, transportar e instalar as prensas para usar onde quer que goste do ritual de imprimir.

Outras ferramentas e acessórios de xilogravura
Para além das prensas para xilogravura e linogravura, a oferta da Ritualis Press inclui muitas ferramentas e acessórios de ateliê muito bem avaliados. Há barens de gravura em madeira e vidro feitos por artesãos, e os essenciais do ateliê: rolos de tinta, tinta para linóleo, bases de corte, feltros e mais. Melhor ainda, a comunidade Ritualis Press no Instagram transborda de ideias novas para pôr tudo isto em prática. Aliás, não procure mais se busca inspiração para a sua próxima xilogravura ou linogravura. Há vídeos de todos os meus artistas e gravadores preferidos da Ritualis Press, cada um a partilhar desenhos, avaliações e conteúdos!
Texto de Justin



Gravura com baren de madeira – regresso às origens
Usar um rolo grande de relevo na xilogravura