A linogravura (também chamada de impressão em linóleo) é uma técnica de impressão em relevo na qual uma imagem é gravada numa placa de linóleo, depois entintada e impressa em papel ou tecido. Pertence à mesma família da xilogravura: o artista remove tudo o que deve ficar em branco, de modo que só a superfície elevada e não gravada recebe a tinta e imprime. O resultado é uma imagem gráfica e marcante, de formas nítidas e forte contraste, e é uma das formas mais acessíveis de criar gravuras feitas à mão em casa ou no ateliê.
Como se faz uma linogravura
Uma linogravura constrói-se em poucos passos simples. Como é a superfície elevada que imprime, a imagem transfere-se em espelho, por isso qualquer texto tem de ser gravado ao contrário.
- Desenhe ou decalque o motivo no linóleo, lembrando que a gravura final sairá invertida.
- Remova as zonas que devem ficar em branco com goivas para linóleo como uma faca, uma goiva em V ou uma goiva em U.
- Passe uma camada fina e uniforme de tinta de impressão sobre a placa com um rolo de borracha.
- Transfira a imagem para o papel, à mão com um baren (uma ferramenta lisa de friccionar) ou passando a placa numa prensa de linóleo.
- Levante a folha para revelar a gravura e repita para tirar uma edição de provas iguais.
Também as pequenas escolhas moldam o resultado: a tinta que escolher afeta o tom e o tempo de secagem, e o papel em que imprime muda o quão nítida e uniforme fica a impressão.
Linogravura e impressão em relevo
A linogravura é uma forma de impressão em relevo, o ramo mais antigo da gravura, em que a tinta assenta na superfície superior da placa e não nos sulcos por baixo. A sua parente mais próxima é a xilogravura, mas o linóleo comporta-se de forma muito diferente da madeira. Não tem veio e não lasca, por isso uma linha pode curvar livremente em qualquer direção, o que facilita desenhos fluidos e orgânicos. O linóleo é também mais macio e rápido de gravar, sobretudo quando ligeiramente aquecido. Em contrapartida, desgasta-se mais depressa sob pressão e, por não ser rígido, é menos indicado para gravuras muito grandes. Muitos gravadores movem-se à vontade entre o linóleo, a xilogravura e a estampagem em tecido, porque a ideia base permanece a mesma.
Breve história
Primeiro veio o material. O linóleo foi patenteado pelo inventor britânico Frederick Walton em 1860, com novas patentes em 1863, como um revestimento de chão resistente feito de óleo de linhaça oxidado. Os artistas depressa perceberam que era muito mais fácil de gravar do que a madeira. O artista checo Vojtěch Preissig expôs “arte em linóleo” em Nova Iorque logo em 1911, e os expressionistas alemães do início do século XX, entre eles Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff, abraçaram uma impressão em relevo vigorosa, a que convinha a força gráfica do linóleo.
Na Grã-Bretanha a técnica tornou-se um movimento próprio na Grosvenor School of Modern Art em Londres, fundada em 1925, onde o professor Claude Flight defendeu a linogravura no período entre guerras. Os seus alunos, entre eles Sybil Andrews, Cyril Power, Ethel Spowers e Lill Tschudi, criaram gravuras dinâmicas e rítmicas que captavam a energia da moderna era da máquina. Pode ler mais sobre estes pioneiros do linóleo e sobre como moldaram o meio.
Dois gigantes da arte moderna deram à linogravura um prestígio duradouro. Henri Matisse usou-a para marcantes ilustrações a preto e branco nos anos quarenta, e Pablo Picasso, que em Vallauris trabalhou com o impressor Hidalgo Arnéra entre cerca de 1958 e 1963, reinventou o meio com as suas coloridas linogravuras por redução. O artista neerlandês M. C. Escher também trabalhou o linóleo.
A cor e o método de redução
Uma linogravura não tem de ser a preto sobre branco. Há duas formas principais de acrescentar cor. A abordagem tradicional usa uma placa distinta para cada cor, impressas umas sobre as outras com registo cuidado. A segunda, tornada célebre por Picasso, é o método de redução (às vezes chamado “matriz perdida”): imprime-se a cor mais clara a partir de uma única placa, depois grava-se um pouco mais e imprime-se a cor seguinte por cima, repetindo até quase não restar placa. É um processo de uma só oportunidade, porque o que é gravado não volta atrás, mas mantém todas as cores em registo perfeito. O nosso guia da linogravura a cores percorre ambas as técnicas passo a passo.
Materiais e ferramentas
Parte do encanto da linogravura é o pouco equipamento necessário para começar. Um conjunto típico inclui:
- Placas de linóleo (o tradicional linóleo cinzento “battleship” ou blocos mais macios e fáceis de gravar para iniciantes).
- Goivas de corte, um conjunto de goivas em V e em U mais uma faca, de preferência afiadas e guardadas num suporte para goivas.
- Um rolo (brayer) para aplicar uma película de tinta fina e uniforme.
- Tinta para impressão em relevo, à base de água ou de óleo, consoante o acabamento pretendido.
- Um baren para friccionar à mão, ou uma prensa de linóleo para uma pressão constante e uniforme.
- Uma base de corte e um bom papel de gravura para proteger a superfície e receber a imagem.
Como começar na linogravura
A linogravura é uma das portas de entrada mais acessíveis para a gravura: as ferramentas são baratas, o processo perdoa erros e uma só placa gravada pode dar dezenas de provas. Se pega numa goiva pela primeira vez, o nosso guia completo passo a passo para iniciantes cobre tudo, do primeiro corte à primeira impressão. Quando for escolher equipamento, veja como escolher uma prensa de linóleo, explore os nossos materiais de gravura e tenha à mão este glossário de termos da impressão em relevo. Para ideias criativas, veja onde encontrar inspiração para as suas gravuras.